VOLUNTARIADO
Um dos objetivos do Conselho Comunitário é o de promover o voluntariado, fomentar na comunidade o espirito de coletividade, tornando as ações mais abrangentes e o potencial de cada membro fator de melhoria do grupo. Participe com suas potencialidades, nosso projeto agradece!
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Universidade Comunitária Regional de Chapecó – UNOCHAPECÓ
Centro de Ciências Humanas e Jurídicas
Curso de Psicologia
RELATÓRIO DA PRÁTICA ACOMPANHADA EM PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA
Disciplina: Prática Social Comunitária
Professora: Maria Carolina da Silveira
6° Período
Acadêmicas: Maíra Aparecida Mattes.
Thais Ludvig.
Chapecó, 06 de dezembro de 2010.
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INTRODUÇÃO
Realizamos nossa Prática em Psicologia Social Comunitária no “Atleta do Futuro”, projeto o qual é desenvolvido pela Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal de Chapecó – SC, sendo este desenvolvido no espaço do Centro Social Urbano do Saic – Ilma Rosa de Nês.
Possuíamos como objetivos da prática identificar as variáveis que envolvem as escolhinhas de futebol do município, mais especificamente esta do Bairro Saic, e o quanto elas influenciam no desenvolvimento biopsicossocial dos meninos os quais acompanhamos. Aliados a esse, nossos objetivos iniciais eram conhecer a instituição, os programas ali desenvolvidos para então verificarmos se esta realmente condizia com a realidade do grupo. Assim os objetivos específicos foram gerados ao longo do processo de nossa inserção e de formação do grupo, pois não entramos com demandas formadas a priori.
Esta prática foi de suma importância, pois foi nosso primeiro contato direto com uma dada comunidade, fazendo com que confrontássemos as teorias estudadas até então, principalmente as da Psicologia Social e da Psicologia Social Comunitária, com a prática. Com essa experiência pudemos desenvolver habilidades quanto à vinculação e manejos de grupos.
Logo, esperamos que esta prática contribua para mais estudos na área da Psicologia Social Comunitária para que possivelmente seja uma ferramenta importante para envolver a Psicologia no esporte, visto que ainda é pouco difundida nos cursos de Psicologia, abrindo assim mais um espaço de inserção, onde percebemos que ela tem muito a contribuir.
Enfim, na exposição que segue apresentaremos brevemente alguns pontos que acreditamos serem relevantes a este documento a fim de apresentarmos o trabalho realizado na instituição à comunidade em geral, onde o Relatório Final completo está disponível para acesso nos arquivos do Centro Social.
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MÉTODO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES
As atividades desenvolvidas na Prática de Social Comunitária não foram planejadas a priori, mas sim construídas de acordo com as necessidades percebidas no decorrer dos encontros, pois, a cada dia nos deparávamos com novas percepções tanto da instituição como do grupo específico.
Para isso, utilizamos de métodos e estratégias para a realização de nossa prática. Iniciamos com observações em ambiente natural para conhecermos a realidade, a dinâmica estabelecida entre as relações e para seus registros utilizamos dos diários de campo, onde descrevemos as questões objetivas da dinâmica daquela comunidade, bem como subjetiva, com nosso olhar, percepção e compreensão das mesmas, entendendo que não somos observadores neutros, confirmando método de trabalho (FREITAS, 1999).
Aliado as observações, seguidas de diários de campo e leituras referentes à disciplina em questão, tecemos reflexões acerca do grupo, tanto de forma individual como nas supervisões em grupo, onde assim, de acordo com a demanda, buscamos planejamentos para as atividades seguintes de intervenções.
As demandas levantadas não foram explicitas por parte do grupo, no que diz respeito a temas que gostariam que fosse trabalhados ou afins, mas sim, partiram de nossas percepções, pois se tratavam de crianças, onde a sua maior expressão não era por meio de palavras dentro do contexto grupal, mas se apresentavam nos momentos de contato, muitas vezes exteriores a realização do grupo em si.
Nossas intervenções se deram através de dinâmicas, conversas e interações com o intuito de mediar o interesse dos meninos para que eles não se percebessem apenas como um participante, mas sim como realmente um integrante daquele grupo, trazendo a importância de seu papel nele, e desenvolvendo mais habilidades para a comunicação, para que isso acarretasse numa melhor qualidade de interação, tanto naquele espaço como nos outros os quais participam, como é o caso de escola e vizinhança.
Também damos importância ao vinculo entre eles, pois acreditamos que melhorando suas relações interpessoais com aquele grupo, consequentemente haveria uma melhora de trabalhos em equipe durante os treinos, trazendo uma maior qualidade para os mesmos, e diminuindo uma possível evasão do projeto e conflitos que acarretariam num maior distanciamento entre os integrantes, reforçando a individualidade.
Muitas vezes, as atividades planejadas não ocorreram como esperado, por motivos como não aderência do grupo, não haver participantes fixos apesar de alguns estarem
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presentes no maior número de encontros, fatores externos como chuva que influenciava na não realização do treino e consequentemente do grupo, cancelamento de treinos por motivos do professor ou no início, por falta de vinculação por ambas as partes (grupo e acadêmicas).
Em relação à vinculação, percebemos a importância desta para podermos realizar um trabalho efetivo e de qualidade. Assim, tivemos que por meio de observações e contatos diretos criar um vínculo e uma relação terapêutica com os meninos os quais desejávamos realizar o processo grupal, para que o mesmo se desenvolvesse de forma a obter bons resultados.
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FUNDAMENTAÇÕES TEÓRICAS E DISCUSSÕES COM A PRÁTICA
Embasados em nossa prática desenvolveremos uma análise geral das multideterminações que englobaram a Prática Social Comunitária, levando em consideração os inúmeros fatores que influenciam a realidade, como fatores individuais, familiares, sociais, institucionais e histórico-culturais, pois, as conexões destes fatores geram efeitos que devem ser compreendidos, problematizados e diagnosticados de forma ampla.
Assim, a nossa inserção e nosso trabalho foi direcionado pelos princípios da Psicologia Social Comunitária, a qual se utiliza do aparato teórico da Psicologia Social que privilegia o trabalho com grupos, tendo como objetivo, segundo Lane (2004), “conhecer o indivíduo no conjunto de suas relações sociais, tanto naquilo que lhe é específico como naquilo em que ele é manifestação grupal e social.” (p. 19), pois entende-se que o ser humano é sócio-historicamente construído e que também constrói suas concepções acerca de si, dos outros e do contexto social.
A Psicologia Social, nos mostra que devemos trabalhar com a demanda que se evidencia e com as dificuldades que se apresentam. Percebemos isto em nossa prática, onde apesar de possuirmos um cronograma que dirigiam nossas ações, estas pouco se efetivaram devido ao fato de interferências entrarem no processo.
Por isso, este trabalho social comunitário, para Mendonça (2007), deve ser dialogado (psicólogo – comunidade) para que o profissional utilize do saber da comunidade, e esta o saber formal dele, trazendo como resultado possibilidades de respostas para o quadro social presente, tornando-a autogestora. Por isso, nosso papel não pode ser de detentor do saber, de experts, mas sim, de um agente de mudança que dará voz à aquela comunidade. Logo, não chegamos ao espaço apresentando possibilidades de mudanças para aquele grupo, mas sim, explicamos tanto para o espaço quanto para o grupo, que nossas intervenções seriam construídas a partir deles e com eles.
Em nossas práticas (referindo-se tanto a acadêmicos como profissionais) muitas vezes temos a idéia de que possuímos um saber diferenciado, devido o embasamento científico aprendido em universidades, e que assim somos capazes de “libertar” o homem. Assim, estaríamos utilizando do poder do conhecimento, mas isso é um equivoco, a partir do momento em que entendemos que não fazemos parte do grupo do qual estamos intervindo, e logo não fazemos parte dele enquanto construção histórica, mesmo que diante disto entramos em sua história (SARRIERA; SILVA; PIZZINATO; ZAGO & MEIRA, 2000). E a partir do momento em que entramos na deles, construímos a nossa.
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Especificamente no que tange o nosso grupo de trabalho, constata-se que o objetivo principal eram meninos entre 07 e 12 anos de idade, que treinavam futebol duas vezes por semana no espaço do CSU. Assim, nossa intervenção foi realizada uma vez por semana ou quando necessário, duas vezes, a partir de grupos intermediários motivados, que segundo Minicucci (1997), é quando há a presença de um adulto (no caso, nós acadêmicas) e quando a criança adere ao grupo respondendo a um interesse seu, que pode ser “necessidade de evasão do meio familiar; procura de sentimentos de segurança; necessidade de viver ao lado de crianças ou adolescentes da mesma idade; interesse esportivo” (p.194). Em todos os encontros realizados convidamos o grupo todo, mas apenas os que aderiram por suas necessidades é que participaram, fazendo o grupo ter uma variação de quantidade de seus participantes.
Essa variação na quantidade de participantes, de acordo com Freitas (1998), é uma das características dos trabalhos desenvolvidos na comunidade, onde, por lidar com grupos, enfrenta dificuldades também em relação à sua espontaneidade, avanços e retrocessos que ocorrem nos encontros.
A nossa posição enquanto acadêmicas foi entrar no espaço sem objetivos a priori, mas sim buscar a partir da análise da realidade e das suas necessidades traçar no decorrer da prática os objetivos a serem trabalhados, pois através da prática, segundo Mendonça (2007), busca-se a possibilidade de mudança na realidade de uma determinada população, para que ela mesma a partir de seu movimento busque suas condições para se auto-gestionar.
Freitas (1999) também complementa com a questão de não definir antecipadamente nossos caminhos ou tempo em nossa inserção em qualquer comunidade. Em relação ao tempo, não podemos seguir tal ideal, pois como nossa prática estava envolvida em questões burocráticas e de tempo por ser realizada apenas no decorrer de um semestre, esta posição não pôde ser aderida, tornando-se limitada.
Para esta inserção, passamos por algumas fases gerais para conseguirmos traçar os objetivos e os caminhos de nossa intervenção. Cabe aqui falarmos sobre a intervenção, que para Baremblitt (2002), pressupõe a existência de um campo de análise, pois não se pode intervir sem entender. Por isso, buscamos entender, conhecer e compreender – mesmo de forma limitada por causa do tempo- a dinâmica do espaço e do grupo o qual estávamos se inserindo, para após delimitarmos nosso campo de atuação. E para isso, tempo foi necessário e mesmo após o início do grupo, ainda estávamos usando de observações para perceber as interações estabelecidas no local.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do desenvolvimento e término de nossa Pratica em Social Comunitária, percebemos a importância de lançar um olhar pautado em respeito ao ser humano, ao seu grupo e a instituição a qual esta vinculado, não procurando enquadres para que sejam encaixados dentro de uma ou outra teoria, mas sim buscar compreender os processos históricos, sociais e psíquicos que fazem o sujeito ou o grupo em questão, se comportar. Por isso, que no decorrer do relatório, tentamos explanar nossas compreensões e olhares que lançamos tanto no espaço, em nosso grupo de trabalho, quanto em nossa atuação.
É importante ressaltar que escolhemos os métodos e modos de trabalho os quais pensamos terem sidos os mais adequados em relação ao nosso momento de realização da prática e da demanda do grupo, levando em consideração a nossa limitação quanto a manejo de grupo, e quanto a tempo de prática, que pensamos ser bastante restrito para toda a complexidade que ela envolve. Assim, trazemos a importância de um trabalho continuado no mesmo espaço, para que assim seja possível ter mais avanços significativos, levando em consideração o trabalho já realizado.
Também, terminamos com a visão das inúmeras possibilidades de intervenções possíveis. Por isso, enfatizamos a importância de um psicólogo no meio esportivo, ou se não possível, estagiários, trabalhando interdisciplinarmente, onde a busca por um desenvolvimento mais saudável das crianças seja possível.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAREMBLITT, Gregório. Roteiro para uma intervenção institucional padrão. In: Compêndio de Análise Institucional e outras correntes: teoria e prática. 5° ed. Belo Horizonte – MG: Instituto Félix Guattari, 2002.
FREITAS, Maria de Fátima Quintal de. Inserção na comunidade e analise de necessidades: reflexões sobre a prática do psicólogo. Psicol. Reflex.Crit, [on line]. 1998, p. 175-189.
FREITAS, Maria de Fátima Quintal de. O que fazer? Reflexões em Psicologia social comunitária. In: MENANDRO, Paulo Rogério; TRINDADE, Zeidi Araújo. Vitória: UFES, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, 1999.
LANE, Silvia Tatiana Maurer. Psicologia Social: o homem em movimento. In: A Psicologia social e uma nova concepção de homem para a Psicologia. orgs. 13° ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 10-19.
LANE, Silvia Tatiana Maurer. Psicologia na comunidade, Psicologia da comunidade e Psicologia (social) comunitária: praticas da Psicologia em comunidade nas décadas de 60 a 90, no Brasil.
MENDONÇA, Valquiria Lucia Melo de. Produção de Subjetividade e Exercício de Cidadania: efeitos da prática em psicologia comunitária. In: Pesquisas e Praticas Psicossociais, São João del Rei: 2007. p. 34-43.
MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo: teoria e sistemas. 4° ed. São Paulo: Editora Atlas S.A., 1997.
SARRIERA, Jorge Castella.; PIZZINATO, Adolfo. (Coord.). Intervenção psicossocial e algumas questões éticas e técnicas. In: Psicologia comunitária: estudos atuais. Porto Alegre: Sulina, 2000.
Centro Social Urbano Ilma Rosa de Nês
Comprometimento e respeito com a comunidade!